disse-te adeus, sem nunca te dizer adeus,
antes que a estrada
desunisse os braços
e me obscurecesse
os latidos, os gritos e os vôos.
digo o que sei:
não existe mais do que a voz
com que calo o que pressinto.
a estrada lenta das árvores tristes
onde o sabor do fim de tudo
me despiu o peito,
será a mesma que te abraçou
no regresso à origem?
as mãos que levaste contigo, as minhas,
sem asas inseguras, etéreas,
sobrevoadas pelas linhas do sangue,
dizem da impossibilidade
e da ausência. disse-te adeus,
sem nunca to dizer:
apenas os cruzamentos das palavras
permitem usar a voz
como se fosse possível calar o grito
das águas inertes sobre os corpos
que depositamos onde a vida nos falta
e tudo o que se diz, nada diz.
Susana Duarte
8/02/2026
1 ano de saudade🤍✨
