terça-feira, 29 de setembro de 2015

«A luz que brilhava tão intensamente foi agora arrancada dos meus olhos. E embora nada possa devolver os momentos do esplendor na relva e da glória na flor, não sofreremos, melhor encontraremos força no que ficou para trás» Wordsworth

Eu sei que Deanie Loomis não existe

mas entre as mais essa mulher caminha
e a sua evolução segue uma linha
que à imaginação pura resiste


A vida passa e em passar consiste
e embora eu não tenha a que tinha
ao começar há pouco esta minha
evocação de Deanie quem desiste


na flor que dentro em breve há-de murchar?
(e aquele que no auge a não olhar
que saiba que passou e que jamais


lhe será dado ver o que ela era)
Mas em Deanie prossegue a primavera
e vejo que caminha entre as mais






Ruy Belo

domingo, 27 de setembro de 2015

The things which I have seen I now can see no more.


THERE was a time when meadow, grove, and stream, 
The earth, and every common sight, 
To me did seem 
Apparell'd in celestial light, 
The glory and the freshness of a dream. 5
It is not now as it hath been of yore;— 
Turn wheresoe'er I may, 
By night or day, 
The things which I have seen I now can see no more.

(...)

William Wordsworth. 1770–1850


quarta-feira, 23 de setembro de 2015

terça-feira, 22 de setembro de 2015

talvez o poema



talvez o poema só nasça


depois de ter sido escrito na pele,


demorando-se sobre os cílios






e as curvas lentas dos braços




-depois de, neles, ter residido a aurora, 


madrugada de sal. 









se o poema nascer


depois de uma aurora de sal, talvez 


saibas, então, da ausência






dos homens,


e das vidas esgotadas


das flores azuis


que enchem prados anónimos.










o poema poderá nascer das raízes


onde, ocultas, se entranham 


as inverdades que, no íntimo,


repetimos aos olhos






e, depois, decalcamos nos poros


sedentos


de toda a pele,






onde queremos ver escritas


as palavras


húmidas e sedentas (talvez


as mais raras), da boca










onde, então, calamos 


toda a angústia.









Susana Duarte



domingo, 20 de setembro de 2015

a Viagem


esquecida das mãos
e das noites nos dedos

(e das águas profundas dos medos)


iniciou a viagem sem asas,
(sossegadas nos segredos
com que a vida as tragou)

esquecida, ela própria,
do mundo

e das névoas que, na passagem
da aurora, ergueram os muros
prováveis
da memória,

renasceu, ela (a mulher)
dos ossos fragmentados
que lhe amparam

a Viagem.

Susana Duarte



Começar a escrever.
Escrever uma, duas, três linhas, uma página inteira.
Chegar ao fim, reler. Apagar tudo, deitar para o lixo.
A vida devia oferecer-nos esta possibilidade. Vivermos um dia, dois dias, três dias. Pararmos para pensar no que vivemos, apagarmos tudo, deitarmos o passado para o lixo. O maior drama da vida é não ser como um texto, não podermos rasurar o passado. O lixo há-de pesar-nos sempre, o lixo de cada dia, de cada hora, de cada momento, que suportaremos como Sísifo teve de suportar a sua condenação.
_____________[Henrique Manuel Bento Fialho]

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Creche e JI Dandélio, em Coimbra.








colegio.appacdmcoimbra@gmail.com


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969788614

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Excerto do poema "Pangeia", do livro "Pangeia", a lançar em Outubro pela Alphabetum Edições Literárias

somos corpos                                                 revolvidos           nas sementes encontradas nas searas
campos imensos de sonho                                    geologia das dores     morfologia de nós mesmos
quando, sentados nos precipícios          onde nos perdemos,               podemos ouvir os segredos

                                                                                                                                                          das aves.

(...)


De Susana Duarte