domingo, 30 de dezembro de 2012

OPUS

obra,
sabedoria prenhe de gazelas
sobre folhas caídas do peito

obra imperfeita, perfeita, inacabada e acabada
mantida nas pálpebras,

... sobre o chão de folhas
da alma:
inverno nú, ave rasteira à terra

____ave entre as pernas da noite_____

obra acabada. solidão imperfeita:
olhos de água, rasos de auroras
nunca mais acontecidas.

flores do meu dorso,
em alvoradas desmedidas.
alvas estrelas de som, em noites imperfeitas

que, na hora de todas as quimeras,
se apoderam de todas as luzes do ventre
e me tolhem da quieta mansidão do sono.

hibiscos rosa. claridade do sonho:
habitas-me todas as utopias.

desagrega-me. agrega-me à areia do teu corpo.
serei obra acabada, quando for, em ti.

susana duarte
poema e foto

domingo, 23 de dezembro de 2012

___desenhei, no azul, a expectativa e o caminho
onde, de asa em asa, as pernas se transformaram
em escamas, e as escamas, na estrada marinha
percorrida. Sob as tuas mãos, a pele desnuda
da noite e, na noite, a sombra caída dos dias___


Reinventaste a noite. Na noite, a ausência da solidão.

 
O desenho da tua mão espalma-se na minha boca.


A tua mão redesenha o meu grito. 


Silêncio.

Na clara manhã do silêncio, o beijo.
 
 
 
Susana Duarte

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012


Roseirais
 
 
 
fechei as estórias
sob uma balaustrada
onde,

incógnitas, residiram vozes de aves antigas

memórias de beijos
divididos

... sob a égide dos solares dias
passados

hoje, revejo a história dos nossos dias
e procuro, nos roseirais dos nossos olhares,
o sol
remanescente

o sol que, sobre a eternidade das peles,
leva os amantes ao altar das luzes
e ao vermelho-carmim de todas as bocas

em todas as bocas te amei
e em todas, te procurei

para, enfim, sobre o sol dos teus lábios
morrer

vivendo ligeira
no recanto dos teus olhos,
de onde me resgatas as noites

ave-sol-viajante-das minhas marés,
eternidade dos meus olhos,
permanência da boca sobre a pele

susana duarte