não sabia que se podia morrer assim,
pausa num traçado ondulante
onde um coração deixa o mundo suspenso
-suspensa eu num segundo eterno-
e suspende o ar que os outros
respiravam
sem saberem que se podia morrer assim,
numa queda desamparada
num segundo desamparado
numa alma desamparada pelo medo
de morrer assim,
desamparada como uma ave caída,
queda surda num chão inexacto e diagonal,
surda como o espaço ao lado onde
ouvidos não ouviram
sentidos não sentiram
mas os olhos viram como é morrer assim
desamparados que ficam os braços
no desalento de perceber
que se pode morrer assim
[eu não queria saber, eu não queria ver,
eu não podia perder quem me ensurdeceu
o coração por morrer assim]
Susana Elisa


