sábado, 31 de maio de 2014

Um belíssimo poema de Joaquim Monteiro

Todo o enamoramento nasce da luz
das veias, no instante em que o olhar
repercute no outro fractal momento.
Tudo gravita no eixo dos lábios
e as palavras são um mar de sedução.

Joaquim MONTEIRO
2011-06-24


Poema de António Ramos Rosa



SÓBRIO O TEU CORPO 


Sóbrio o teu corpo me pede 
penetração: nomes puros 
os da boca, braços , mãos 
sobre a terra e sobre muros. 


Sóbrio o teu corpo me pede 
nomes justos, nomes duros: 
os de terra, fogo e punhos, 
claros, acres, escuros . 


António Ramos Rosa



Foto: Susana Duarte

My only way, is the sun.


Foto: Susana Duarte

quinta-feira, 29 de maio de 2014

To a Stranger- Walt Whitman



To a Stranger

Passing stranger! you do not know how longingly I look upon you,
You must be he I was seeking, or she I was seeking, (it comes to me, as of a dream,)
I have somewhere surely lived a life of joy with you,
All is recall’d as we flit by each other, fluid, affectionate, chaste, matured,
You grew up with me, were a boy with me, or a girl with me,
I ate with you, and slept with you—your body has become not yours only, nor left my body mine only,
You give me the pleasure of your eyes, face, flesh, as we pass—you take of my beard, breast, hands, in return,
I am not to speak to you—I am to think of you when I sit alone, or wake at night alone,
I am to wait—I do not doubt I am to meet you again,
I am to see to it that I do not lose you.



Foto pessoal

quarta-feira, 28 de maio de 2014

terça-feira, 27 de maio de 2014

fiquei parada, no meio do vento.

fiquei parada no meio do vento,
submersa pela vontade de me espraiar em ti,

mas foi imensa a extensão do ar,

e alada a praia de onde partiram os braços.


fiquei parada, submersa no meio do vento,
perdidas as asas da memória e os olhos negros
da tua presença sobre o meu corpo.
foi imensa, a onda que me submergiu
e condenou. fiquei parada,

no meio do vento. 

onde as árvores me estendem os braços,
derreto as névoas imensas de além mar, perdendo-me
nas raízes-seiva de quem sou.

perdida no seio das águas,
fiquei parada no meio do vento. os vórtices
que me elevam às nuvens mais não são,
que ondas perdidas do seu rumo, erguidas elas 

à sofreguidão dos sonhos. 

Susana Duarte



Foto pessoal

domingo, 25 de maio de 2014

ou talvez fosse apenas a noite, soprando o mar para além do horizonte

talvez as ondas tenham despojado de luz
as estrelas nelas espelhadas,

ou talvez fosse apenas a noite,
soprando o mar para além do horizonte.

se fosses tu, certamente preencherias
a noite de luz. a não ser que a aurora se demorasse,
a cavalo na noite, ensombrada pelo receio
de ser um dia novo, onde os homens têm medo.

talvez as ondas segurem as estrelas
para além do céu, quando a noite se demora.

ou talvez o calor nos devolva o dia, 
e nos dê a exata medida dos sonhos.

talvez tu, na sonora imensidão das ondas,
sejas a espuma que delas nasce, 
etéreo, 
apenas sonho.


Susana Duarte



La Poesia (dal film "Il tigre e la neve" con Roberto Beinigni)



siate tristi e taciturni con esuberanza...


quinta-feira, 22 de maio de 2014

Do meu próximo livro, "Pangeia"

Excerto do poema "PANGEIA"
(ouvindo Pedro Burmester, “Variações Goldberg” de J. S. Bach)



(...)
somos aves longínquas                    perdidas      desencontradas     quando, na dança das pernas,
suamos verões            e chuva  rente aos olhos,        lágrimas  de seixo e lágrimas de água, sobre
pestanas límpidas      e espigas de trigo.         somos corpos  à beira de si mesmos, cognoscentes
dos perigos das pedras.        somos construção,           somos sonhos de união.      continentes  
à deriva.    deriva dos beijos.             somos corpos à beira de um precipício.                     deriva.


De Susana Duarte

quarta-feira, 21 de maio de 2014

De Capinaremos.com


...

L'amore non muore mai di morte naturale. Muore per abbandono, per cecità, per indifferenza, per averlo dato per scontato, per inanità, per non essere stato coltivato. Le omissioni sono più letali degli errori consumati.
( Anaïs Nin)



Foto pessoal

domingo, 18 de maio de 2014

sábado, 17 de maio de 2014

Poema de Otília Martel



A ti me dou, em forma de palavras

Para que nos teus sentires, despertes os meus

E nessa paixão que nos enlaça

Um poema satisfazemos.


Um poema…







O dia morre… e, a terra, escurecendo

diz ao céu que vele o nosso dormir,

e nossos olhos docemente, adormecem a sorrir…


As estrelas começam a luzir

com a luz hesitante e mal segura

que pronuncia a noite que há-de vir…


É a voz do silêncio a murmurar

em palavras de sonho à natureza

as vozes dos anjos a balbuciar


E tudo dorme, tudo sonha docemente

Numa tranquilidade indefinida

a alma, o corpo, sonha… calmamente


Vem muito longe a luz da madrugada,

e as estrelas, como visões deslumbrantes

são pontos distantes na noite sossegada…





É noite… nada vibra…nada fala…

Tudo mergulha num sonho vago e mudo…

E a solidão desprende-se de tudo

Qual bálsamo subtil que a noite exala…


Silêncio…estou sozinha…eu me desnudo

Manifestando a dor, sem disfarçá-la…

E por adormecê-la e suavizá-la,

A noite envolve a terra, qual veludo!


Eu não quero quebrar esta magia!

Silêncio…a noite morre…é quase dia…

E eu, não sei quem sou, nem onde vou.


Nada murmura…nada…tudo dorme…

A noite é para mim deserto enorme,

Aonde meu destino me atirou!

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Nos 45 anos da APPACDM de Coimbra...

..uma maravilhosa Gala voltou a encantar a Cidade, num serão de espanto, sorrisos e troca de afetos. 
No dia 13 de maio, no nobre espaço do Teatro Académico de Gil Vicente, deu-se início às comemorações.
A APPACDM é uma instituição que apoia o Cidadão com deficiência intelectual, ou em risco de exclusão, já reconhecida internacionalmente pela qualidade da prestação de serviços sociais, tendo obtido o reconhecimento do nível de Excelência, pelo modelo EQUASS.

Parabéns, APPACDM. Parabéns, Cidade de Coimbra.


























quarta-feira, 14 de maio de 2014

serei sempre a sombra antiga das aves

dormirei na ponta dos dedos das noites,
onde as aves caminham por entre névoas
e, soltas as asas da paixão, sucumbem
serenas ao brilho das estrelas. dormirei
por sobre as palavras ciciadas pelos dedos,
e por entre as plúmulas leves dos sonhos.

serei sempre a sombra antiga das aves.

é por isso que me escondo nas palavras
sussurradas por aves antigas, e durmo
nas sombras aladas de velhas cantigas.

Susana Duarte


Quando anoitece...

...Coimbra anoitece assim...



segunda-feira, 12 de maio de 2014

as aves seguram os búzios na ponta do bico

as aves seguram os búzios na ponta do bico

os búzios permanecem solitários, 
no bico das aves;

as aves continuam solitárias 
na redoma madrepérola
do espaço (aparentemente livre)

em que se movem


Queima das Fitas de Coimbra

Queima das Fitas de Coimbra

domingo, 11 de maio de 2014

Coimbra...

http://www.tvi24.iol.pt/videos/video/14136437/1

sábado, 10 de maio de 2014

sexta-feira, 9 de maio de 2014

O meu amigo, Alfredo Favaloro, em entrevista.

http://www.emotionsoftheworld.com/#!ALFREDO-FAVALORO-DA-BRERA-A-LISBONA-IL-MAESTRO-AD-ITALIANS-AND-INTERNATIONAL-ARTISTS/c23xz/317C6BD4-3E86-4C4E-9B0B-3516128B3B19

Canto Maior.

quinta-feira, 8 de maio de 2014

faltou-te o amanhã de todos os dias

iniciei uma viagem de zimbro e de estevas,

amarelecidas que estavam as folhas que, no verão,
anunciaram  venturas de chegada e de paixão.

sobre o leito desfeito, imaginei botões de flores novas,
e o suave raiar do sol da manhã. 

no caminho das folhas,
perdeste os passos. faltou-te o passo que turba a foz

do rio e o conduz ao mar. 

faltou-te o amanhã de todos os dias.

Susana Duarte



terça-feira, 6 de maio de 2014

About Mapplethorpe




http://www.tate.org.uk/art/artists/robert-mapplethorpe-11413





http://www.mapplethorpe.org/portfolios/

segunda-feira, 5 de maio de 2014

De Herberto Helder


Não sei como dizer-te que minha voz te procura

e a atenção começa a florir, quando sucede a noite

esplêndida e vasta.

Não sei o que dizer, quando longamente teus pulsos

se enchem de um brilho precioso

e estremeces como um pensamento chegado. Quando,

iniciado o campo, o centeio imaturo ondula tocado

pelo pressentir de um tempo distante,

e na terra crescida os homens entoam a vindima

– eu não sei como dizer-te que cem ideias,

dentro de mim, te procuram.



Quando as folhas da melancolia arrefecem com astros

ao lado do espaço

e o coração é uma semente inventada

em seu escuro fundo e em seu turbilhão de um dia,

tu arrebatas os caminhos da minha solidão

como se toda a casa ardesse pousada na noite. – E então não sei o que dizer

junto à taça de pedra do teu tão jovem silêncio.

Quando as crianças acordam nas luas espantadas

que às vezes se despenham no meio do tempo

– não sei como dizer-te que a pureza,

dentro de mim, te procura.



Durante a primavera inteira aprendo

os trevos, a água sobrenatural, o leve e abstracto

correr do espaço –

e penso que vou dizer algo cheio de razão,

mas quando a sombra cai da curva sôfrega

dos meus lábios, sinto que me faltam

um girassol, uma pedra, uma ave – qualquer

coisa extraordinária.

Porque não sei como dizer-te sem milagres

que dentro de mim é o sol, o fruto,

a criança, a água, o deus, o leite, a mãe,

o amor,



que te procuram.



In A Colher na Boca


domingo, 4 de maio de 2014

nome



inscrevo-te na bainha dos sentidos,
onde o limbo é, apenas, um caminho


salto de folha em folha e, na natureza viva das mãos,
abro a boca sôfrega da água que sai do teu corpo

ondeio as linhas do caule e
nutro-me da tua vida:

semente,
nascente,
flor noturna
e pêssego rosa;
luz nascente
das minhas flores,
ângulo inexistente de uma curva,
quarto crescente
da minha lua.


inscrevo-te no recanto ambíguo dos sonhos,
na espera do sol nascente, rasante das minhas veias,
amplitude da navegação das flores, na enseada
onde verti as flores de um olhar,

luz,

alcateia de lobos de uma montanha nova,
onde inscrevemos a espécie nos olhos azuis da tua boca.


inscrevo-te na bainha dos sentidos,
onde o limbo é a margem da vida, percorrida

por entre cruzamentos e ligamentos e estranhos pensamentos

mas onde, sempre, reina o teu nome

susana duarte

Les coquelicots


Claude Monet, "Coquelicots à Argenteuil (1873)

Beauty.


quinta-feira, 1 de maio de 2014

Aprenderei a amar-te


aprenderei a amar-te

num labirinto de praias

onde a lua se esconde da noite

e penetra na maré cheia

que te cobre o ventre...

mil cavaleiros se ajoelharam

mas nenhum trazia a lâmina

para te cortar a venda

e te permitir ouvir o vento

que em mim por ti clama._______________________ João Costa



aprenderás a amar as ondas

submarinas que em mim-estranhas-

habitam? é nelas que residem

os cabelos verdes das algas

e dos olhos marulhados de noite

que te percorrem. é nelas que vivo

e é sobre elas que as espadas

perdem todas as lutas, pois o vento,

esse, nunca ouviu o meu lamento._______________Susana Duarte


Foto: Susana Duarte