Visualizações de página na última semana

quinta-feira, 12 de março de 2026

 olho para trás 

e não te vejo.


olho em redor e não te vejo,

apenas a Primavera canta 

desassombrada


(assombrada eu pela ausência).


olho para trás 

e não te vejo.


quisera saber do sorriso

que te sorria 

      quando me vias chegar,

ou quando o café se enchia de luz

com a presença do teu filho


da tua neta, do teu neto 

 e das flores que lhes nasceram.


mas olho para trás 

e não te vejo. olho para a frente

e não tenho o teu braço para apoiar,

ou o teu olhar para me amparar 


a queda, esta queda, este cair desmedido

de quem olha ao redor

e não vê abrir -se 

        o sorriso. 


quisera olhar para o lado

e ver a tua mão pronta, a tua mão 


minha Mãe 


e saber-te ali, mesmo nos silêncios

de noites rotineiras

e cuja medida eu cria saber de cor.


a orfandade é um lugar 

estranho


que não aceito

e não aceito

e vivo contrariada,


como contrariada vejo as flores

que já não vês.


havia frésias, hoje, no café do mercado

onde parei por instantes.


havia frésias.


olho para trás

e não te vejo. 


pudesses tu estar aqui, 

onde as frésias ombreiam 

com a minha orfandade, neste olhar


em redor

e não te ver.


Susana Duarte 




 olho para trás  e não te vejo. olho em redor e não te vejo, apenas a Primavera canta  desassombrada (assombrada eu pela ausência). olho par...