domingo, 3 de fevereiro de 2019

há uma sombra em cada asa,
e uma ave escondida em cada passo; 
uma nódoa negra no peito,
e um vôo interceptado 
pelos dias.

há duas cores na plúmula,
onde não cabe mais do que uma paleta
insegura, povoada por névoas.
todos os vôos são ambíguos,
e todas as vozes, silêncios
crocitados nas horas
das quimeras.

são obscuros, os dias
onde as asas quebradas do sonho

tentam erguer sorrisos.

Susana Duarte

 (sobre uma foto do amigo William Bigorna, e sem autorização prévia), escrevo: há aves que pousam, silentes, nos ombros da madrugada  (tão e...