António Duarte, meu irmão 🫂
desprendes sorrisos
por entre as sombras dos ossos
(como se fossem asas)
e ornamentas os olhos
por sobre o sal da água cristalina
das lágrimas
(como se fosses rio, em vez de mar,
leito, margem e foz).
desarmas o peito
sobre as palavras não ditas, sem interditos
(se os olhos desaguarem saudade)
e, no dealbar de cada dia,
és âncora, raíz, braço que contém
a dor
(como se fosses rocha, vertente,
areia húmida de uma praia qualquer,
ou apenas o que és:
o sangue,
a História que une as memórias
e o significado das palavras que virão
do passado que nos une
(e do qual somos órfãos)
e do futuro outrora semeado
e do qual somos herdeiros
precursores
veículo
caminho seguro dos que vieram depois.
Susana Elisa Ribeiro Duarte
Sem comentários:
Enviar um comentário