nada te resta, senão olhar-me de longe. sabes que habito outro plano, o do dia e da luz com que prossigo, todavia, sobre as flores submarinas. nada te resta, senão as lágrimas e o arrependimento. talvez possas ressurgir, noutras vestes, noutros seixos. mas serás sempre a sombra, a vida incompleta que se declina nos lugares que já não procuro.
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sábado, 7 de fevereiro de 2015
Nelma Goreth Gaspar de Almeida
nos 4 meses do teu falecimento, porque o dia dos teus 16 anos, será vivido na distância imensa que vai da Terra ao Céu. porque nos faltas.
creio nos anjos que andam pelo mundo,
creio na deusa com olhos de diamantes,
creio em amores lunares com piano ao fundo,
creio nas lendas, nas fadas, nos atlantes;
creio num engenho que falta mais fecundo
de harmonizar as partes dissonantes,
creio que tudo é eterno num segundo,
creio num céu futuro que houve dantes,
creio nos deuses de um astral mais puro,
na flor humilde que se encosta ao muro,
creio na carne que enfeitiça o além,
creio no incrível, nas coisas assombrosas,
na ocupação do mundo pelas rosas,
creio que o amor tem asas de ouro. amém.
Natália Correia
Laura Ingalls Wilder
De Laura Ingalls Wilder(1867-1957)
"As verdadeiras coisas não mudaram. O melhor ainda é ser honesto e verdadeiro; aproveitar o máximo do que temos; ser feliz com os prazeres mais simples; e ter coragem quando as coisas derem errado."
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015
AINDA NÃO TE DISSE (de Joaquim Alves)
Ainda não te disse tudo
não há tempo para o tudo
e mesmo que houvesse
tudo ficava pela metade
quartos e oitavos
mas a vida nunca
essa é sempre por inteiro
mesmo em momentos breves
ontem pedi
que destruíssem
todos os relógios
Joaquim Alves ( https://www.facebook.com/joaquim.alves.395?fref=nf&pnref=story)
não me sorrias
não me sorrias a partir de onde as gárgulas
denunciam medos,
nem de onde os olhares são furtivos
segredos
de quem, entre si e o outro,
esconde as mãos,
frenesim oculto
dos olhos pousados além da vontade
e do desejo.
não me sorrias, se é a partir delas
que me olhas, prisioneiro
dos rituais, com receio dos dedos
todavia entrelaçados
de solidão
e de folhas caídas.
não me sorrias, se no sorriso escondes
as veias,
esqueces as vidas,
prolongas ameias e te escudas no norte,
prisioneiro da morte
das mãos vividas, entrelaçadas
de sol, onde reside a loucura amena
da paixão.
Susana Duarte
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015
dias escritos com o sal-flor das mãos inteiras
morre-se azul sob os escolhos de sal
das (des)contruções
de areia. é no lugar das sementes,
e dos sóis verdes dos cabelos, que se morre azul.
com o sal das neblinas dos olhos,
morre-se sombrio
ante as ondas submarinas do ventre,
e escolhe-se a vereda estranha
dos dias salinos das lágrimas.
é no lugar delas que se morre, palavras
escorridas por entre as águas do peito.
são escuras, as palavras.
são claras, as palavras.
morre-se dentro delas, mar imprevisto
de ondas alteradas.
morre-se. navega-se no sal dos cabelos,
onde o futuro é o olhar percorrido
pelos dias
de antes.
morre-se. as ausências desmesuradas
do sal
dos beijos,
são a morte silabada
dos dias.
os dias silabados serão sempre teus,
pequenos e intermitentes,
como a morte dos dedos.
mas serão dela,
da mulher,
os dias escritos com o sal-flor
das mãos inteiras.
susana duarte
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