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domingo, 18 de novembro de 2012


vou ser borboleta negra, de douradas asas

inexistentes, subitamente dispersas
sobre cumes onde crocitam negras gotas
de chuva, de sal, de fogo, de fugas, de fátuos
e vagos movimentos, lentos, estranhos, solitários.

vou ser a sombra que transpareço,

nas ervas verdes de um chão sem nuvens,
aladas, translúcidas, ensimesmadas e brancas
como rododendros desconhecidos, e o branco pano

da seda que, nos olhos, me antecede os dias
e tolhe da sabedoria das coisas simples, raras pérolas
negras, como os corvos que me habitam, e me tiram

luzes do peito, e me escrevem sombras nos olhos,

e me falam de casas com flores, onde o som das águas
é oco, surdo, como os passos que dás. e não vejo.

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sobrevoo as linhas naufragadas


susana duarte
 

1 comentário:

  1. A poesia aqui...continua cinco estrelas!!
    Passo para te desejar um Feliz Natal na companhia dos teus queridos.
    Mil beijocas
    Graça

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