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sábado, 25 de julho de 2026

 quantas mortes cabem 

no coração dos pássaros? quantas mortes?


quantas vidas esmorecem 

em cada vôo? quantas? quantas plúmulas há 

no vôo errático de cada ave


lançada, como semente, nos dias

pardos da existência? quanto negro veste 

os dias, quando o negro veste o peito das aves?

quanto negro?


quantos dias temos por contar?

quantos meses, quantos anos, 

se o que sentimos é eternidade e vida e sangue

nos passos que damos?


quantos sorrisos sobejam,

quando as tristezas nos vestem de cumplicidade 

ante a finitude? quantos?


quanta vida nos sobra

para sentir cada raio de sol sobre o rosto?


quantos corações têm os pássaros?


Susana Duarte 


quarta-feira, 22 de julho de 2026

 Maria Elisa Ribeiro 🙌 🤲 ✨ 


a Palavra Mãe beija-me os olhos:


eis as lágrimas fugidas dos rios 

desviados da voz que não ouço; eis as palavras que não me devolvem o Tempo 

de semear cerejas 

e colher Alegria.


nas batidas cardíacas do dia, procuro

o Olhar do Reencontro, a luz, o abraço terno 

que de ti nascia, garça verde 


que se alimentava de água, bebendo nas gotas 

da noite a Palavra que celebraria 

em cada Lua Nova.


queria  semear as tuas palavras

na voz do vento, para delas me nutrir

e  encontrar Alento. queria ouvir a tua voz.


é no teu nome que adormeço, silente,

onde o sal dos olhos me entristece os dias.


a Palavra Mãe beija-me os olhos:


cegos,

escassos, desconhecedores 

da imensidão do que antes me era ignoto-

a tristeza de não te amparar os passos. 


na hora da partida,

o ser humano que mais dificilmente perdoamos 

é a nós próprios. somos vãos. 


não somos nada, quando os lábios 

da Mãe deixam de nos beijar

os olhos sedentos.


Susana Duarte 

 esquece o mundo e acomoda a respiração no seio da noite     que perdura. esquece a noite, desfaz os nós      do silêncio com que passaste e...