Visualizações de página na última semana

sábado, 26 de outubro de 2013

Do nosso amado Poeta Joaquim Pessoa

Dia 349. (excerto)

Ontem fui uma luz. Hoje sou uma luz.
Uma luz serei entre as tuas espáduas e no interior
da tua boca, na tua nuca incandescente, no ombro que
a minha língua percorre, faminta e transtornada.
A tua pele é um doce delírio, um fogo em território de paixão,
percorrido à velocidade desta luz. Sobre ela correm
animais assustados, fugindo da voracidade dos meus lábios,
dos meus dentes que mordem a surpresa.
E em cada centímetro do teu corpo beijo árvores e casas
de uma cidade branca onde Deus habita, e onde esvoaça
para o céu da minha boca um coro de anjos transparentes
que exultam aleluias no meu sangue.
O meu corpo é uma pátria de desejo. A tua boca
um poema manuscrito, dito em silêncio à minha boca
que mastiga as tuas palavras de seda, e de sede.
E de incêndio.

*

Joaquim Pessoa
in ANO COMUM, 2.ª Ed.
(Introd. de Robert Simon; Posf. Teresa Sá Couto)
Editora Edições Esgotadas, 2013.

Sem comentários:

Enviar um comentário

 António Duarte, meu irmão 🫂 desprendes sorrisos  por entre as sombras dos ossos (como se fossem asas) e ornamentas os olhos  por sobre o s...