quinta-feira, 19 de junho de 2025

 e agora, dormes.


velo o teu sono (habito-o?) 

onde a morte te apartou de mim


e o vento tudo derruba

dentro do meu peito triste.


só as aves poisam serenas,

libertas


sobre o nada e os acasos

e a fruta madura.


e agora, dormes.


só a luz te leva para o lugar

das maçãs camoesas, 

ou das estrelas luzentes

       da vida


que te trouxe um dia a mim: útero,

alma, peito e vida.              dormes.


nada sei. 

dormes onde abraças 


           o que não alcanço.


a vida que em ti dorme

transforma os frutos

e dá-me a sede


     outrora desconhecida.


Susana Duarte


Mais um dia sem ti, minha mãe, Maria Elisa Ribeiro , minha protecção no céu infinito ♾️.

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