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quinta-feira, 20 de agosto de 2026

 esquece o mundo


e acomoda a respiração no seio da noite

    que perdura.


esquece a noite, desfaz os nós 

    do silêncio com que passaste e habitar


as minhas veias,

e visita-me em sonho;            visita-me 


e sussurra as palavras que me dizias

quando os dias pareciam tão infinitos 

                 como o tempo de te ter comigo


      diante dos silêncios 

que a vida me impôs.


esquece o mundo e chora,

   acomoda a respiração de que já não és capaz


e diz-me que tudo isto é tão irreal

quanto as aves                no inverno

ou as flores de açafrão -bravo     na primavera.


esquece o mundo


       e dá -me ar.


Susana




sexta-feira, 14 de agosto de 2026

 





🤍

as casas feitas de silêncios

são            guardas das memórias,

espectros vivos

  de amores infinitos


      de  fendas      

           de cisões   


                 e  das alegrias 

contidas nos gestos simples 

      com que se construíam os dias


🤍

as casas, e os seus silêncios,

      ofuscam as ténues linhas


que, outrora, ligaram corpos

    geométricos

         adjacentes

              laterais a si mesmos onde as quedas


prenunciaram a queda do corpo

           

                          no invisível 


🤍


as casas,           feitas de luz 

         quando as sombras as dominam 


      

         são ecos distantes das vozes

de outrora.


é aí, nas casas prenhes de memória, 

  

            que se aprofundam solidões.


🤍


Susana Duarte



 não sabia que se podia morrer assim,             pausa                     num traçado ondulante onde um coração deixa o mundo suspenso    ...