quantas mortes cabem
no coração dos pássaros? quantas mortes?
quantas vidas esmorecem
em cada vôo? quantas? quantas plúmulas há
no vôo errático de cada ave
lançada, como semente, nos dias
pardos da existência? quanto negro veste
os dias, quando o negro veste o peito das aves?
quanto negro?
quantos dias temos por contar?
quantos meses, quantos anos,
se o que sentimos é eternidade e vida e sangue
nos passos que damos?
quantos sorrisos sobejam,
quando as tristezas nos vestem de cumplicidade
ante a finitude? quantos?
quanta vida nos sobra
para sentir cada raio de sol sobre o rosto?
quantos corações têm os pássaros?
Susana Duarte

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