esquece o mundo
e acomoda a respiração no seio da noite
que perdura.
esquece a noite, desfaz os nós
do silêncio com que passaste e habitar
as minhas veias,
e visita-me em sonho; visita-me
e sussurra as palavras que me dizias
quando os dias pareciam tão infinitos
como o tempo de te ter comigo
diante dos silêncios
que a vida me impôs.
esquece o mundo e chora,
acomoda a respiração de que já não és capaz
e diz-me que tudo isto é tão irreal
quanto as aves no inverno
ou as flores de açafrão -bravo na primavera.
esquece o mundo
e dá -me ar.
Susana

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