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domingo, 20 de setembro de 2026

 não sabia que se podia morrer assim,

            pausa                     num traçado ondulante


onde um coração deixa o mundo suspenso

         -suspensa eu num segundo eterno-

e suspende o ar que os outros 

                    respiravam


sem saberem que se podia morrer assim,

numa queda desamparada

num segundo desamparado

numa alma desamparada pelo medo 


de morrer assim,  


desamparada        como uma ave caída,

queda surda num chão inexacto e diagonal,

surda como o espaço ao lado        onde

ouvidos não ouviram 

sentidos não sentiram 


mas os olhos viram    como é morrer assim


     desamparados que ficam os braços 

no desalento de perceber 

que se pode                   morrer                assim


[eu não queria saber,    eu não queria ver,

     eu não podia perder quem me ensurdeceu

o coração        por morrer assim]


Susana Elisa 

 não sabia que se podia morrer assim,             pausa                     num traçado ondulante onde um coração deixa o mundo suspenso    ...