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sábado, 15 de setembro de 2012

NUDEZ

estou nua,
e o espelho, à minha frente.

oiço a passagem de uma borboleta azul
que se poisa no ombro onde, outrora,
habitou a suave flor de um beijo, e o sabor
das romãs, desocultadas da noite,
vencidas pelas manhãs cansadas
...
do amor e da seda
dos teus braços.

na nudez,
celebro as asas da noite.

a noite em que, nua, me desfiei sob o olhar
que me navegou e,
sonhada,
desviei os medos
e todos os anseios anteriores.

escondi-os num rio oculto,
onde fingia viver,

e nas tuas mãos,

através das tuas mãos,

descobri-me perseida
na nudez
dos teus braços.

susana duarte

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

SÚPLICA



ouve-me nos movimentos das pálpebras,
onde é sonora a ausência em que habito;
onde se espraiam vozes sumidas; onde
vivem giestas, e piam aves estranhas...


olha-me nos recantos da paixão antiga,
e desnuda-me os ombros de aurora. sê
inteiro, marinheiro das minhas águas e
cálida emoção que se derrete no calor
das minhas lágrimas antigas. sê a luz
onde tudo, dantes, era ilusão de néon.

ama-me. e devora-me os olhos e a boca
e os braços com que te cerco e sinto.

sente, de mim, a lágrima de luz coberta
de seda, onde te deitas e recobres de ser
marinheiro da minha sede. ama. em mim,
encerra as noites de aves estranhas, sê
luz ansiada-procurada-antes interdita. e

ama-me

susana duarte
 
 

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

MAR

na baía, encontrei uma concha
e os olhos da lua, num pôr do sol distinto e
inscrito na maré baixa,
onde deixei um pé preso nas algas
e me tornei o sonho de uma sereia que, na praia,
criou pés e, distraída,caminhou
em eternos sonhos de orvalho,
recitados num teatro onde a luminosidade
estranha

da noite,
a deixou perdida nos recantos do mar.

tornei-me navegante dessa concha,
consciente do tempo passado e futuro,
que pinto e
habito,
como se uma tela me deixasse eternizada

no mar que salgas

e transformas em chuva pálida na manhã serena.

Somos nós, nas marés,
que criamos cenas da vida que escorre na areia
e deixa marcas de pegadas
nos locais onde somos, em cada luar, seres mágicos e

indistintos.
Navegar.......

Navegar é o sonho
cavalgado pela lua cheia

numa onda que não há.

Mar.
 
 

 susana duarte
 
 

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

escreve-me nas flores da tua alma,

como escreves o azul
dos espaços
dos meus olhos.

.escreve-me nas janelas que abres,
 e nos caminhos-de-ferro
que percorres nas tardes
 em que as partidas

se transformam em corvos soturnos.

escreve-me na vida
 das vidas que vivemos,
e nas orvalhadas em que acordamos
e nos sabemos sós,


 eu em ti, tu em mim.


febre da chegada e do sabor
da flor
e da noz.

 .escreve-me.



.serei o mapa dos trilhos que percorres.

susana duarte
il sogno è un petalo di rosa... di Paolo Staglianò


Il sogno è un petalo di rosa...
dal
confine il cupo tono
...
di lontani rombi:
taglia dritta una pioggia fine:
è una compiuta rete la distesa.
un canto spegne ogni eco che risuona:
e non umani valicano cortine ]
un tempo diviso segna la mancanza
di un evento:
le tessere bianche
d’un domino infinito colmano
l’urlo di ogni cosa muta:

il sogno è un petalo di rosa…
il vapore lieve d’una follia bambina:
l’erba verde d’una età smarrita,
occulta al viandante il mito oscuro,

delle vigorie disfatti di falliti amori
che rincorrono le viole:
la mano perduta o rinata nei dadi
di una sorte riporta a lontane intese:

[ foto ingiallite nelle baite deserte,
ruotano dentro il vortice eterno delle ore ]

il sogno è un rincorrersi di ombre:
il gioco brioso del non vissuto:

lungo il viottolo taciuto delle more ]

Paolo Staglianò - il sogno è un petalo di rosa... da
[ Proxima del centauro ]Proprietà letteraria riservata
© 2012 by CSA Editrice




sábado, 1 de setembro de 2012

escreve poemas nas coxas da noite
e dela, faz nascer aves coloridas e
noites de paixão. das aves que tens
nas pernas, faz um canto de sal e dor
para, depois, transformares a dor
no suave suor de um sorriso trémulo

ante a visão do ser amado. sê. ousa.

vive nos olhos azuis da primavera
dos teus seios. e transforma-os na
nascente de todas as águas do mundo.



susana duarte
 

QUIMERA

diz-me onde moram as estrelas de Cassiopeia
e as luzes da candeia, que os pescadores empunham
na noite amada dos sonhos alados, de trovadores-cantadores
e de castelos, antigos e belos, onde me guardas num recanto, numa ameia,
e me transferes das estrelas para o alto das belas trovas que entoam sonhadores,

sonhadores-fazedores de estrelas, de louvores e de jóias raras, encontradas be...
las
e tranformadas em velas que iluminam o teu rosto de amante de uma sereia
que, no fundo do mar, perdeu a capacidade de nadar e ganhou a de voar,
e voou nas estrelas de cassiopeia, onde construiste uma ideia
maravilhosa de não-solidão e de não-espera. Quimera?

_______quimeras são sonhos e seres fantasmáticos; alegorias de um desejo
e de amores erráticos que, finalmente, encontram a raiz do ser na luz
eterna da navegação dos desejos__________
 
 
susana duarte (poema e foto, as usual =)
 
 
 

 sei das rosas que amavas e da delicadeza do toque, ainda que as memórias  obnibuladas pela dor, se ausentem ...