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segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

febre

dias consumidos em febre

febre nas noites das pálpebras e
nas pálpebras do vento

sedento

febre

dias consumidos em dias de velas

dias nos dias das áleas das tílias
e nas tílias das mãos,
onde crescem serenas e, todavia,

incautas

as linhas do destino traçado num dia

de névoas desalinhadas
e de luzes estranhas na sombra das luas


febre

noites consumidas no abraço
estarrecido

o abraço dos dias em que sou
um braço
protegido

febre que me arde nas pestanas
movimentadas ao som de um compasso

todavia esquecido de si
lembrado de mim,

no tempo que passa e,

desatento,

sobre mim lança seus braços

(antes os teus)

Susana Duarte

domingo, 1 de janeiro de 2012

vou escrever uma flor no suor de um poema
e, da canção de amor, farei um sol, no tema
que se inspira no rosto que me visita os dias,
e me interioriza nos caules de plantas-memórias,
e de fotografias disparadas ao luar do tempo.




Susana Duarte
queria-te comigo na noite do ser. e doce flor seria no secreto adormecer.
.guia-me na noite do silente coração. e não deixes morrer. não deixes morrer
a serena paixão. a árvore és tu. a araucária alta no jardim. onde plantas
árvores, plantas-me, a mim... na infinitude da altura da vontade de voar.
.sei de ti. sabes de mim. plantas etéreas, noturnas, marinhas. plantas de amar.





Susana Duarte



.queria ser voo e ser horizonte.



.numa praia deserta, ser a vida e a fonte que te deixa ser asa e remo, nave e mar navegado,
fruta morena em terreno desbravado, onde se verte a lua   e navega a noite, ao som de um violoncelo-mulher-despida-de si.


.encontrar-me no horizonte onde os olhos são estrela do norte,

                                                                                     e sou eu-em-ti.


                                                                                                                          Susana Duarte
(Pintura de Nicoletta Tomas)


.abro-te os lábios com a urgência de quem desce as águas fortes de um rio e, nelas,

 não pára a corrente que me conduz ao eterno que em ti reside e me leva às tuas pernas

sobressaltadas onde a luz dos teus beijos te eleva o corpo na voz da noz da flor do desejo.


                                                                      da flor da paixão. onde te sei.


Susana Duarte

sábado, 10 de dezembro de 2011



caminho-te nas flores dos pés e das mãos que conheço

caminho-te nas águas dos olhos onde me deito

caminho-te nas rochas dos dias do peito

                                                           e subo,  e desço


                                                                                    pelas marés da saudade de TI

                                                                                                          (caminhada e foto: Susana Duarte )

sábado, 8 de outubro de 2011

Mãos... e um Penedo

.no Penedo onde mora a Saudade, dei-te as mãos e sonhei a aurora.

.nas ruas onde moram segredos, dei-te as mãos e construí a caminhada.

.nas tuas mãos, residem os segredos das ruas e do Penedo.





.não sei das minhas. levaste-as contigo.





Poema de Susana Duarte

Pintura de Nicoletta Tomas

 esquece o mundo e acomoda a respiração no seio da noite     que perdura. esquece a noite, desfaz os nós      do silêncio com que passaste e...