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terça-feira, 16 de agosto de 2016



deixar os dedos onde as árvores falam e as aves
calam memórias, mantém vivos os nós dos dias
e a imprecisão dos sonhos. 

não sei de onde vêm


as absurdas imagens que persistem nas veias, 
ou as fotografias tiradas sob a luz esmaecida 
dos tempos. deixar as aves calar as memórias,
desabita a retina 

e deixa vítreos os grãos de areia


outrora revolvidos por mãos ansiosas, ágeis,
descomedidas nos toques e na procura dos corpos.

outrora absurdas, eis as veias ondulantes, mulheres 
desmedidas e intensas na avidez dos olhares.
mulheres. grãos de areia 

nos corpos amantes,

vítreas nos olhares com que se estendem, aves
elas próprias, 

na ignomínia dos abandonos.

Susana Duarte


"O encantamento vem com o compromisso. E o encantamento só se recupera com maior compromisso. Esta é a lógica do amor." 
(P. Vasco Pinto Magalhães, sj)



domingo, 7 de agosto de 2016

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Alegria



Já ouço gritos ao longe 
Já diz a voz do amor 
A alegria do corpo 
O esquecimento da dor 


Já os ventos recolheram 
Já o verão se nos oferece 
Quantos frutos quantas fontes 
Mais o sol que nos aquece 


Já colho jasmins e nardos 
Já tenho colares de rosas 
E danço no meio da estrada 
As danças prodigiosas 


Já os sorrisos se dão 
Já se dão as voltas todas 
Ó certeza das certezas 
Ó alegria das bodas 


José Saramago, in "Provavelmente Alegria"


quarta-feira, 3 de agosto de 2016

quinta-feira, 28 de julho de 2016

onde te escondes, quando a noite cerca as sombras
e as desfaz, tornando-as nébulas no olhar, e densidade
negra por sobre as espáduas e o ventre?

onde te escondes, sempre que a noite vigia os incómodos
sussurros dos amantes, mitigados pelo raiar da lua que, sobre 
os corpos, se declina em invulgares contornos, de corpos 
redondos e interstícios onde as peles se não encontram?

onde quer que estejas, és o olhar que se estende sobre os dedos
que movo no ar, incógnitos bailados do pensamento, 

onde tanto se diz, por entre aquilo que se procura.

Susana Duarte




 esquece o mundo e acomoda a respiração no seio da noite     que perdura. esquece a noite, desfaz os nós      do silêncio com que passaste e...