Visualizações de página na última semana

segunda-feira, 1 de março de 2021

 as flores nascidas

do teu rosto, semeiam

expectativas 


em olhos translúcidos


(os meus)


 

Susana Duarte





quinta-feira, 25 de fevereiro de 2021

 a tua voz ergueu-se 

do cinzento       dos dias chuvosos


(deixando-me              suspensa

                   nas horas).


suspensa pelas palavras 

                         que não digo,


tornei-me silêncio.


         sussurro o silêncio

                    que me percorre,


incapaz de traduzir


                           o teu nome.


Susana Duarte




terça-feira, 23 de fevereiro de 2021



a vida solta 
extingue as lágrimas

e a vaga sensação de futuro.
 
 

possam as flores renascer,
e as aves navegar olhos humanos,

e os olhos marejarão de expectativa
as noites onde, vazias, 
 
 

as janelas escutam fantasmas.

Susana Duarte

sábado, 6 de fevereiro de 2021

 o amor.


acontece nas horas cimeiras,

              antecipando os vôos 

                                     do     sangue.


inesperado como as águas

           que irrompem,       abruptas,   

                                    onde as geadas

 

ignoram a tardia floração do peito,


            o amor trespassa os cabelos

                                revolvidos

                                     por dedos ágeis.


              o amor. inesperado e inseguro

                          como uma ave lenta.


Susana Duarte


domingo, 31 de janeiro de 2021

digo-te adeus

 





digo-te adeus

antes que a estrada 

           desuna os braços


e me obscureça 

            os latidos,           os gritos      e os vôos.


digo o que sei:

não existe mais do que a voz 

        com que calo           o que pressinto.


a estrada lenta das árvores

onde o sabor do absinto            me desnudou,

será a mesma                           que te abraçará


no regresso ao norte.       


as mãos que levaste       contigo,         aladas

e inseguras,            etéreas,

                 sobrevoadas pelas linhas do sangue,


dir-te-ão da impossibilidade 

                     e da ausência.        digo-te adeus,


      onde os cruzamentos  das palavras 

                  não permitem a voz 

                  ou o balanço suave


         das águas inertes sobre os corpos.


Susana Duarte



sábado, 2 de janeiro de 2021





 roubo à chuva

o sol que me pertence:

a clandestinidade da rua

permanece indistinta,


à sombra das palavras 

negadas,


interditas,


ditas onde os terrenos

aguardam a chegada

do beijo.


roubo ao sol o calor

do vôo, onde aves soletram

manhãs de inverno


e separam as letras 

de cada rumo ao sul.


roubo, enfim, o nome

decalcado na terra,

onde sou norte e sou sul


e não sei para onde vou.


Susana Duarte

domingo, 13 de dezembro de 2020

Dissonâncias

 construída pelas dissonâncias,

onde me sento só
e navego ondas 
de nada,

 

sou a antítese,

 

a matéria intrínseca do silêncio,
e as noites do nada onde me sento 

 

e sou.

 



 

Susana Duarte

 esquece o mundo e acomoda a respiração no seio da noite     que perdura. esquece a noite, desfaz os nós      do silêncio com que passaste e...