as flores nascidas
do teu rosto, semeiam
expectativas
em olhos translúcidos
(os meus)
Susana Duarte
nada te resta, senão olhar-me de longe. sabes que habito outro plano, o do dia e da luz com que prossigo, todavia, sobre as flores submarinas. nada te resta, senão as lágrimas e o arrependimento. talvez possas ressurgir, noutras vestes, noutros seixos. mas serás sempre a sombra, a vida incompleta que se declina nos lugares que já não procuro.
digo-te adeus
antes que a estrada
desuna os braços
e me obscureça
os latidos, os gritos e os vôos.
digo o que sei:
não existe mais do que a voz
com que calo o que pressinto.
a estrada lenta das árvores
onde o sabor do absinto me desnudou,
será a mesma que te abraçará
no regresso ao norte.
as mãos que levaste contigo, aladas
e inseguras, etéreas,
sobrevoadas pelas linhas do sangue,
dir-te-ão da impossibilidade
e da ausência. digo-te adeus,
onde os cruzamentos das palavras
não permitem a voz
ou o balanço suave
das águas inertes sobre os corpos.
Susana Duarte
roubo à chuva
o sol que me pertence:
a clandestinidade da rua
permanece indistinta,
à sombra das palavras
negadas,
interditas,
ditas onde os terrenos
aguardam a chegada
do beijo.
roubo ao sol o calor
do vôo, onde aves soletram
manhãs de inverno
e separam as letras
de cada rumo ao sul.
roubo, enfim, o nome
decalcado na terra,
onde sou norte e sou sul
e não sei para onde vou.
Susana Duarte
construída pelas dissonâncias,
onde me sento sóe navego ondasde nada,
sou a antítese,
a matéria intrínseca do silêncio,e as noites do nada onde me sento
e sou.
Susana Duarte
esquece o mundo e acomoda a respiração no seio da noite que perdura. esquece a noite, desfaz os nós do silêncio com que passaste e...