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sábado, 31 de agosto de 2013

Opacidade 


vou ser borboleta negra, de douradas asas

inexistentes, subitamente dispersas
sobre cumes onde crocitam negras gotas
de chuva, de sal, de fogo, de fugas, de fátuos
e vagos movimentos, lentos, estranhos, solitários.

vou ser a sombra que transpareço,


nas ervas verdes de um chão sem nuvens,
aladas, translúcidas, ensimesmadas e brancas
como rododendros desconhecidos, e o branco pano

da seda que, nos olhos, me antecede os dias
e tolhe da sabedoria das coisas simples, raras pérolas
negras, como os corvos que me habitam, e me tiram

luzes do peito, e me escrevem sombras nos olhos,

e me falam de casas com flores, onde o som das águas
é oco, surdo, como os passos que dás. e não vejo.

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sobrevoo as linhas naufragadas


susana duarte

2 comentários:

  1. a canção tb é belíssimaaaaaaaaa mas tão triste...

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  2. Quando o sonho nos embebeda e se entranha dentro do peito todos nos transformamos e vivemos experiências únicas. Um poema muito bom.

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 sei das rosas que amavas e da delicadeza do toque, ainda que as memórias  obnibuladas pela dor, se ausentem ...