abro-te os lábios com a urgência
de quem desce as águas fortes de um rio
e, nelas, não pára a corrente que me conduz
ao eterno que em ti reside e me leva às tuas pernas
sobressaltadas onde a luz dos teus beijos te eleva o corpo
nada te resta, senão olhar-me de longe. sabes que habito outro plano, o do dia e da luz com que prossigo, todavia, sobre as flores submarinas. nada te resta, senão as lágrimas e o arrependimento. talvez possas ressurgir, noutras vestes, noutros seixos. mas serás sempre a sombra, a vida incompleta que se declina nos lugares que já não procuro.
quantas mortes cabem no coração dos pássaros? quantas mortes? quantas vidas esmorecem em cada vôo? quantas? quantas plúmulas há no vôo e...
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