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quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

.sobre tuas águas, estendi o manto diáfanos das pétalas
de um nenúfar, pousado nas ondas da infinita vontade
de voar. sobrevoar, rasante, as ondas... baixando à areia,
sobre teus olhos, fingir que encontrei o sereno leito
de um futuro-pre...sente. onde aves doiradas navegam
luas de encantamento. e as serenas flores da paixão
eternizam cerejas no corpo das sereias perdidas
no meio de laranjais ocultos por entre ramagens
à beira de um rio que não sei. nesse rio, o peixe
bailou-te na boca. nesse rio, naveguei teus olhos.


                                             e, ainda, não te revi. e, ainda, não te reencontrei.

Susana Duarte

(pensando na Capelinha e nas noites serenas e suaves, como a música que não me cansarei jamais de ouvir)

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

medo de ser

noite da noite das angústias e das esquinas do tempo

ave noturna nos braços longos do desespero. desalento.

... medo de ser

braços de árvore despida de folhas em branco. inscrita

nas pernas e nas raízes do sonho, penduro-me em braços

escondidos e mergulhados na penumbra da tarde de inverno.

medo de ser

o céu, e o inferno. grades aprisionam asas de aves e vozes

caladas de brilhos solares. as angústias são anseios de ave

que voa na calada da noite e, só, mergulha no rio. nas águas,

revê as margens onde se ancorava um barco. medo de ser.

medo de deixar de ser. medo de permitir a intrusão do medo.

Susana Duarte
Poema e foto

 

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

UTOPIA

.também eu tentei escrever o amor nos dedos,
onde a areia não se apaga na sofreguidão das ondas.

. fiz do teu nome a flor dos dias e afastei medos,
... onde se travam lutas, e as estrelas são redondas e petrificadas
estátuas de árias longínquas, de óperas imperfeitas...

. fiz dos meus dias a magnólia rosa do inverno
e, na ausência das folhas, escrevi tudo o que não é eterno.

.foi nas ondas que o teu nome se inscreveu.

.tornei-me maré.

Susana Duarte
 
 

domingo, 8 de janeiro de 2012

SABEDORIA

Vivo das lágrimas e da poeira da estrada, que se entranha nos olhos

e me tolhe das águas do rio onde nasci; sorriso turvo nas algas

de dias escorregadios e flores de sol onde nascem ameias

estranhas; corro atrás das nuvens e percorro ruas

desertas. Se soubesse dos dias, estarias

mais perto.

Susana Duarte

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

 
 
 
suspendi o tempo na noite de uma palavra


(talvez seja tempo de a palavra se desequilibrar)


da corda estendida na noite do tempo, recolho
a sequiosa gota de luar. invento. invento tempos

de noites
de gotas
de olhos
de acordes
de horas
de ventos
de céus ocultos.

desoculto a noite da palavra e o tempo cai


suspensa das árvores de gotas caídas,

caio também


sou das árvores noturnas e dos seios das horas brancas


e nas noites das palavras invento o mundo do canto


estendes uma ponte onde a noite cai serena no tempo-
-fantasma


estrela de pontas ocultas no fio de um gume
esticado na soturna e silenciosa escuridão da árvore
onde crescem hibiscos velhos e laranjas dormem

Susana Duarte

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012




sussurrar palavras no eco do silêncio



                                                    de retorno, apenas...a vaga possibilidade

Susana Duarte
desço

de estrelas empalideço
se, na noite, for teu o brilho que me segura


Susana Duarte

 esquece o mundo e acomoda a respiração no seio da noite     que perdura. esquece a noite, desfaz os nós      do silêncio com que passaste e...