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sábado, 8 de outubro de 2011

Mãos... e um Penedo

.no Penedo onde mora a Saudade, dei-te as mãos e sonhei a aurora.

.nas ruas onde moram segredos, dei-te as mãos e construí a caminhada.

.nas tuas mãos, residem os segredos das ruas e do Penedo.





.não sei das minhas. levaste-as contigo.





Poema de Susana Duarte

Pintura de Nicoletta Tomas

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

.fala-me de coisas simples e sagradas, de flores de linho bordado e de palavras encantadas.

.fala-me da magia e das estrelas azuis; das serenatas enlouquecidas, na pele que escreves

                                                                             em notas de música perdidas na noite de que sou refém.


                                                                                                                                               Susana Duarte

domingo, 11 de setembro de 2011

Crescem, por entre os cabelos,
                         estrelas de luz e sonho que,
                                              por entre fios de luz negra,
                                                                   nas tuas mãos deponho... raiada
                                                                                              da luz de uma noite antiga,
                                                                                                                                            
                                                                                                                              entoada por ti
                                                                                                                                  na aventura de mim.

                                                                                                                                           Susana Duarte
.escreve-me nas flores da tua alma, como escreves o azul dos espaços dos meus olhos. .escreve-me nas janelas que abres, e nos caminhos-de-ferro que percorres nas tardes em que as partidas se transformam em corvos soturnos. .escreve-me na vida das vidas que vivemos, e nas orvalhadas em que acordamos e nos sabemos sós, eu em ti, tu em mim. Febre da chegada e do sabor da flor e da noz. .escreve-me. .serei o mapa dos trilhos que percorres. Foto e poema: Susana Duarte

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

VIDA

Vou escrever palavras soltas na calada da noite, invocando os sonhos das eras anteriores e das vidas que passei. Estavas lá e fotografavas momentos e impressões, calando as lágrimas que deixavam rasgos na pele e nos ossos e na boca. Escreverei as saudades na pele da tua imagem e nas aves que tens dentro, e fora, e em Ti. E em Mim. Somos, dizes. E sabes da terra e do assombro das luzes e das nuvens e das árvores de pé. Os mistérios das ruas são teus. Guardas, na Vida, a vida e a morte e o renascimento, e todas as vidas vividas e caladas em que o Destino se não cumpriu. E reténs nos olhos a luz que me alumia os passos, me ilumina a memória e me faz viver em Ti. Terra. Terra. Luz e Vida e Solidão diminuída, solidão que desistiu de ser, porque a vida se encheu de VIDA! Susana Duarte

domingo, 28 de agosto de 2011

Veias

.apetecia-me rasgar as veias
com que desenho as asas,
com que arrisco o voo,
com que derrubaria
ameias.
.apetecia-me rasgar as veias
com que desenho casas,
com que invento azuis
nos arabescos
da alma.

Susana Duarte

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

.ama-me.





.ama-me.
.ama-me como se fosse fácil.
.ama-me como se fosse o caminho
do dia, iluminado pela fresca luz da manhã.

.ama-me.
.como se o dia se tranformasse
e o caminho se fizesse com asas soltas
e as flores cantassem litanias de um amanhã.

.ama-me.
.como se a noite que me habita,
fosse apenas a voz de um corvo que foge no voo
e se esconde atrás das nuvens chorosas da tempestade.

...pois a tempestade que me habita
é a noite do fogo e da asa sem cor.
.e a viagem que faço é oração e dor.
.e é de amor que o coração crepita.

.ama-me.
.ama-me como se fosse fácil.

Susana Duarte

 quantas mortes cabem  no coração dos pássaros? quantas mortes? quantas vidas esmorecem  em cada vôo? quantas? quantas plúmulas há  no vôo e...