nada te resta, senão olhar-me de longe. sabes que habito outro plano, o do dia e da luz com que prossigo, todavia, sobre as flores submarinas. nada te resta, senão as lágrimas e o arrependimento. talvez possas ressurgir, noutras vestes, noutros seixos. mas serás sempre a sombra, a vida incompleta que se declina nos lugares que já não procuro.
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domingo, 14 de agosto de 2011
haveria.
haveria flores no chão que piso,
se a cada passo florisse a ousadia
de ir um pouco mais alem. o riso,
e o pão de mel que espera à janela,
e na janela me detem. haveria
sorrisos nas estrelas que vejo,
se soubesse o sabor desse beijo
que me olha a partir da nudez
da noite. e a lucidez seria despida,
e a vida, mais vivida, se ousasse
olhar as telhas e levantar do chão
as coisas velhas que me agarram
a um bau, no sotão de uma estoria.
e o vermelho de uma cereja rubra
que desfiei com dentes na noite,
seria o vermelho de um poema
desfiado, candeio que ilumina
a noite dos pescadores e das sereias.
haveria flores no chão que piso,
se as estrelas me sorrissem, e vissem
em cada grito, o uivo e o lamento
das alcateias irmanadas que ululam
a gloria e a força da caçada. haveria.
haveria gritos nas mares e ondas sibilantes.
e gatos nas esquinas onde procuro a sombra
de poetas distantes. haveria um sol em cada
lua, e uma ave nova,azul e alada, na rua.
Susana Duarte
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