quinta-feira, 4 de agosto de 2011

lágrima

Uma lágrima habita os poros da noite.

(Os poros da noite são lágrimas espalhadas).

A noite é uma sereia alada que pernoita na lua.

(A lua habita a lágrima e deixa pó de estrelas nos seios).


A noite anseia cabelos e vozes e carícias e sons ciciados e músicas.
As músicas são joelhos tocados pelas estrelas cadentes e entremeios
de rendas feitas por mãos que esperam e segredam ladaínhas na rua.


A noite anseia árvores que se agitam ao vento, e cantam segredos
de amantes esquecidos. As lágrimas são seios de desejos erguidos.


É de noite que a lágrima se desfaz em pó,
como se a mulher que a chora estivesse nua.



Susana Duarte

2 comentários:

  1. é...sempre à noite que a lágria se desfaz...
    lindo seu poema!
    bjos

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